quinta-feira, 20 de julho de 2017

Sinceros e verdadeiros


Um traço marcante atual, é a falta de sinceridade. Já virou moda dizer que a verdade não existe, ao mesmo tempo em que se proclama inúmeras certezas inquestionáveis.

Pensar é -antes de tudo- buscar compreender o que é real e falso, mesmo que sem conseguir chegar a conclusões satisfatórias. Mesmo entendendo que o pensar seja direcionado inconscientemente, por paixões, vontades, lembranças…

Existe um mundo que se nega a ser verdadeiro com o que pensa, sente, deseja, recorda… A verdade virou uma ficção para muitos; em que o falso transformou-se tão real quanto o verdadeiro, e o errado quanto o certo. Uma geração que se nega a si e aos outros. Vive numa fantasia psicótica.

terça-feira, 11 de julho de 2017

A empatia e o sentido da vida


Uma pergunta que emerge com frequência, é qual o sentido de suas vidas. As respostas são diversas, sem consenso aparente.

Já se colocou o sentido da vida em Deus ou deuses, buscar a felicidade, ajudar o próximo, satisfazer seu eu, cancelar seu eu… Ou, segundo vários, a vida não teria sentido.

O único consenso possível nisso tudo é de todos serem movidos por anseios e desejos múltiplos,paixões, creio eu;mesmo em filosofias da renúncia da vontade própria. A empatia- o que uns diriam, amor- creio ser a chave 

A empatia é o que possibilita não destruirmo-nos mutuamentee, mas construir um mundo plural repleto de sentido. Fora isso, tudo vira paixões monstruosas.

A vida como arte


A arte é explicada como representação, na maioria das vezes. Se trata de uma mera reprodução, ou mesmo mentira sobre a realidade, estando aquém da vida.

Pode se ver a arte por outra perspectiva: como a própria vida. Não como uma reprodução, mas recriação da existência; onde se procura o que há mais de belo e transcendente, eterno: em como viver segundo os anseios mais nobres e felizes da humanidade.

A vida pode ser pensada como arte. Como conduzi-la da forma mais sensível e feliz possível, recriando a realidade, a representando parcialmente; buscando o seu melhor. Não mentindo sobre essa, mas procurando sua verdade. Se reinventando como eterno espetáculo.

Loucura e pensamento

Frequentemente, associa-se a ideia de loucura com irracionalidade. Como o contrário de pensar, sintoma da falta de inteligência, reflexão, senso crítico…

A loucura, na contramão do que crê o senso comum, não é a falta de razão. É antes, a criação de pensamentos sem coerência, contraditórios. A “falta de juízo” possibilita entendimentos inusitados. Esse é um motivo da sua correlação com as artes e certas filosofias.

Em todo caso, o que se percebe é a falta de lógica, ideias que não dialogam entre si. Não é o pensar que necessariamente é prejudicado, mas sua coerência. Pelo mesmo motivo, lógicas incompreendidas são também rotuladas de loucura.

O que pode se falar, então, da sensatez, não ser tanto a capacidade de pensar e refletir, mas sim a de relacionar o pensar à realidade vivida, bem como sua interação com essa. Fora isso, é loucura

terça-feira, 4 de julho de 2017

Ética e crise


Ao contrário talvez do que geralmente pensamos, o Brasil não vive uma crise de ética hoje. O que vemos, é o emergir de uma profunda reflexão moral e ética na atualidade.

Crises são apontadas quase sempre como momentos da decadência moral do homem, porém justamente são os períodos mais férteis para o pensamento crítico e para reflexão. Crises não são tanto causa, mas resultado de longos períodos de ruína ética e moral.

Hoje, vemos emergir no Brasil um amplo leque de pensamentos críticos, que tem grandes dificuldades em se alicerçar nos antigos: que nos levaram ao atual caos. Percebemos uma crise nos forçar a repensarmos e refletir quem somos, para onde vamos, como…

Talvez os maiores apogeus morais que o ser humano alcançou, foi devido à dor e ao sofrimento das mudanças. O sofrer é, pelo visto, sinal frequentemente de se estar vivo, e precisar se transformar.

Ser ou não ser; ou sobre partidos


Ser ou não ser”, a frase do famoso personagem Hamlet, expressa o dilema do ser humano em seus desejos contraditórios. Essa é uma pergunta constante hoje no Brasil.

É comum nos embates atuais, se proclamar a necessidade de aderir a um projeto. O partidarismo e seu sectarismo estão berrando nas ruas e casas; porém é respondido pela dúvida. “Ser ou não ser” é uma questão para brasileiros desgostosos de facções que não representam seus anseios.

Nos perguntamos “ser ou não ser”, quando vemos algo que aparentemente é benéfico, mas também terrível. Onde nos vemos impotentes diante de um cenário estranho, onde pensamos e refletimos como podemos superar a angústia e a dúvida, e agirmos.

Tomar partido, em tempos de crise, pode ser uma péssima escolha, decidir entre facções decadentes. Porém, justo em crises, urge tomar ações que consigam responder aos dilemas da época.

Loucura; incapacidade ou transcendência

Loucura é um termo que descreve um amplo leque de fenômenos que fogem da racionalidade de seu tempo. Conceito visto ora de forma valorativa, ora pejorativa; como incapacidade ou transcendência.

Louco é como chamamos aquele que não se inseriu na racionalidade coletiva. Nisso se inscreve tanto pessoas que não internalizaram a razão comum, como os que a repensaram. Por um lado, a loucura é um exemplo de incapacitação, em que a pessoa não adquire - por diversos motivos- a capacidade de pensar como os outros. Ou então, traço de gênios incompreendidos. Ou ambos.

Como incapacidade, a loucura não deve ser romantizada; porém temos uma tendência em estigmatizar o que é incompreendido por nós. A razão exclui assim a sua própria superação, razões outras. E, debaixo do rótulo da loucura, excluiu-se com frequência o que mais de transcendente havia. Sem falar, de quando ambos consideram o outro insensato e a si não.

Sinceros e verdadeiros

Um traço marcante atual, é a falta de sinceridade. Já virou moda dizer que a verdade não existe, ao mesmo tempo em que se pro...