terça-feira, 14 de novembro de 2017

Fim da hombridade

Em nome da igualdade dos seres humanos, temos destruído nossa humanidade em suas peculiares. Uma delas é a masculinidade. Vemos uma contínua efeminização do mundo.

Temos valorizado e muito traços femininos como a conciliação, o sentimentalismo, a compaixão, a compreensão, a delicadeza… E tratado como demoníaco e patológico o que há de masculino: a ira, a ação, a impulsividade, a franqueza, a visão objetiva e crua da realidade.

Por mais que seja politicamente incorreto defender hoje as diferenças dos traços sexuais e sua influência na psique humana, é fato: Recebemos doses diferentes de hormônios masculinos e femininos. Não devemos esperar que homens ajam como mulheres, e mulheres como homens.

Os homens têm tido seu psiquismo violado desde a mais pequena infância, sendo ensinados a se comportarem de forma contrária aos seus anseios e vontades, gerando uma sociedade doente.

Repensando a Antiguidade

Na passagem da Antiguidade para o Medievo, perdemos valores de suma importância. Os elementos greco-romanos tenderam a ser rejeitados como pagãos, enquanto se erguia um cristianismo prepotente, crendo-se no fim da História, livre da autorreflexão e de passado.

Renunciamos a valorização do que é exclusivo, nobre, para poucos. Com a queda do paganismo aristocrático, se definiu um cristianismo popularesco, em que qualquer um estava livre do inferno. Se abandonou o equilíbrio como valor, com a arte medieval valorizando o disforme, irracional. Se foi a alegria espontânea, ficando no lugar um ar de severidade, de disciplina. Deixamos de ser observadores da ética e viramos juízes, representantes da vontade de Deus.

Devemos rever a antiguidade, que nos revela formas de pensar diversas das atuais. Seria bom readotarmos as virtudes da excelência, do equilíbrio, da alegria diária e do questionamento pessoal.

Amor?

Se fala muito sobre amor. Já no grego, havia várias palavras para amor: fileo (fraternal), eros (sexual) e ágape (ilimitado, sacrificial). Chamamos tudo isso de amor. Afinal, o que é o amor?

O amor não tem nada a ver com nossa visão atual, reconfortante e de autoajuda, amena e tranquila. Amar é justamente fugir de si, para se dar ao outro. Fundindo-se, sendo transfigurado pela beleza além de si. É buscar virar humano. Isso é dolorido e cruel, o amor descobre a rejeição.

Justamente pela dureza do amor, nossa sociedade tem o expurgado e substituído por bons modos. Porém, cada vez mais, nos tornamos menos humanos, conforme deixamos de nos sensibilizar para com o outro. O sacrifício, como os antigos diriam, é necessário para sanar nossos pecados e erros.

O mundo precisa se perder, doar, se derrotar… Desde que se acreditou em utopias de vitórias e sucessos, deixamos de amar. Nos negamos a aceitar a dor da mudança. E só o amor nos redime.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Autoajuda

Quanto menos solidário fica o mundo, mais se prolifera a autoajuda. Vivemos na era dos conselheiros, do fracasso coletivo, que procura as respostas que precisa, porém não as acha.

Muitos já estão fartos de ideias, palavras e dicas dadas sem compromisso algum. O que hoje urge são pessoas que – de forma coerente-proponham ideias e ações que realmente auxiliem a si e aos outros.

Porém, é sintomática a atual carência de vínculos e solidariedade. Seres que creem bastarem por si mesmos ou por seus grupinhos, sem necessitar dialogar com o estranho e construir o mundo junto a esse também. Vivemos na ilusão dos sobre-humanos, espécime extinto.

Necessitamos mais solidariedade mútua e sincera, sem hipocrisia, e menos barbarismo interpessoal. Essa seria a maior autoajuda que o ser humano poderia dar a si mesmo.

Ouroboros

Um símbolo da magia e do encantamento, vindos desde os tempos antigos, é o ouroboros: a serpente que devora sua cauda, representando a permanência eterna no mesmo estado.

Vivemos, no Brasil, círculos viciosos, ainda: semelhantes a essa serpente condenada a devorar a si mesma e nunca mudar: mantendo-se em transformações apenas aparentes.

O que precisamos no Brasil não é a simples oposição de ideias e atitudes discordantes( algo, per si, nem bom nem mau), mas a proposição de uma nova existência, que fuja dos ciclos eternos de destruição feitos nos moldes da desgraça.

Urge sairmos da obviedade, do banal, do cotidianamente mesquinho e viciado, para compreendermos como manifestar a vida em sua plenitude

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Inesquecíveis

O que nos marca na vida não é tanto o corriqueiro, mas o excepcional. O corriqueiro só é lembrado a partir do ponto que vira uma excepcionalidade da vida. O que é banal, é esquecido.

O inesquecível soa eterno. É aquele amigo, momento, local, circunstância que nos envolve como uma lembrança mítica, divina; ou mesmo tenebrosa, infernal. A partir do momento que rompemos com o óbvio, a vida se manifesta.

Devemos aprender a erguer monumentos no nosso coração e nossas vidas. Não ídolos, não obras monstruosas ou ridículas, mas signos do que há de mais belo. Quem sabe, minimalistas. Fazer de nós mesmos grandes construções, palácios, templos, cujo fascínio está reservado aos íntimos.

O Fenômeno

O grandioso ministro da economia
Diz que o Brasil pode crescer quatro por cento
Daqui talvez quem sabe né três anos mesmo
Pouco importa afinal pois ora o estado do dia

Com o magnífico caos, curta grana pífia
Cada um batalhando por si para que viva

Num forte então salve-se quem puder limite
Na instável incerteza de qual é o mal
Que se segue ao fantasma hoje atual
Com enfim o contracheque que se permite

Fim da hombridade

Em nome da igualdade dos seres humanos, temos destruído nossa humanidade em suas peculiares. Uma delas é a masculinidade. Vemos uma contí...