terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Terríveis diferenças

Um desafio permanente é compreender as diferenças, sem gerar conflitos desnecessários. Muitas vezes, o diferente pode parecer um monstro, mesmo sendo melhor que seu observador.

Quando os ibéricos chegaram onde hoje é o México, se chocaram com os sacrifícios humanos rotineiros, e fizeram questão de suprimir toda cultura local para acabar com tal prática inaceitável; porém, realizaram isso mediante a uma guerra de conquista, algo sempre sanguinário.

Acabaram por destruir uma das culturas mais avançadas do mundo, com sua arte, sociedade, astronomia, matemática e literatura. Inúmeros códices foram queimados. Instaurou-se a exploração colonial, aliada a um genocídio, nem sempre decorrente das doenças europeias.

Podemos supervalorizar no diferente seus defeitos, e sermos cegos às suas qualidades. Mesmo com costumes monstruosos, talvez os nossos podem ser piores. Como ver o outro tal nos vemos?

Heróis

Algo constante na humanidade, é a ideia do herói… Um ser que transcende seu tempo, e estabelece novos padrões de vida. Estranhamente, porém, no Brasil, tal ideia é um pouco nebulosa,idealista.

Nossos dramas geralmente tencionam para o cômico, e quando se trata de algo trágico, a figura do herói inexiste… Seja por sua motivação não ser heroica(como o desejar se separar da esposa), ou por ser alguém patético(como o ingênuo pagador de promessas, de Dias Gomes).

No Brasil ainda falta um instinto de querer reinventar a vida, transformar a realidade… Falta firmeza em lutar por seus sonhos, em enfrentar dessabores… Em enfrentar os deuses, para alcançar o sublime. Quase sempre, tudo se transforma em comédia.

Por mais danoso que a ideia de herói pode ser, em sua ilusão do semideus que deseja educar os outros mortais, creio que faria bem se os brasileiros sonhassem um pouco em assim ser um dia.

Maturidade

Um grande desafio, nesse mundo contemporâneo volátil, é o de amadurecer. Muitos crescem sem desenvolver tal processo.

A infância certamente tem aspectos maravilhosos. Precisamos do que é onírico, mágico, fantasioso, sentimental, afetivo, etc. Porém, a vida não se resume a isso. Para certas fases da vida, responsabilidade, consciência e juízo são vitais.

Amadurecer é aprender da vida não ser regida somente pelo prazer, e que o mundo não é uma projeção de nossa mente. É saber que existe certo e errado, e nem tudo é válido. É compreender que nossas ações afetam os outros, como as deles a nós. E que precisamos superar os desafios.

Devido a uma cultura de falta de limites no Brasil, temos dificuldade em amadurecer, entender da vida ser o que é, mesmo quando desagradável. Porém, gostando ou não, amadurecer é necessário.

Mais amor

Vivemos mais um novo ano, como de costume. Bons votos foram renovados junto das expectativas. Dentre as muitas palavras de ordem do repertório, uma novo refrão surgiu, “mais amor”.

Talvez nada melhor simbolize os ritos da passagem de ano como a expressão “mais amor”. Em cada cerimônia de abertura de champanhe, tudo é uma festa, bela e positiva. Belas palavras proliferam; porém no decorrer do ano, frequentemente, encontramos outra realidade.

O desejo de um ano bom não é apenas um ato mental “positivo”. Requer de nós uma busca constante do belo, bom, justo em nós. Pedir “mais amor” requer uma nova atitude, inclusive que desagradam a nós( ou até a outros). A realidade não mudará somente por palavras nossas.

Desejo a todos nós uma nova ação para com a vida, em que não nos lembremos apenas numa virada de ano para refletirmos sobre a vida e expectativas que temos. Que isso seja sempre.

Telefone sem fio

Algo que prolifera hoje é a cacofonia e interferência de ideias nesse mundo hiperconectado. Vivemos numa imensa brincadeira de “telefone sem fio”.

O compartilhar, publicar, comentar, opinar -felizmente- tem se espalhado na cultura contemporânea. A web e suas mídias sociais estimularam tal comportamento. O que outrora era reservado aos especialistas, hoje todos são estimulados a fazerem e crescerem, como indivíduos pensantes.

Porém, isso tem gerado terríveis ecos e ruídos em tudo. Repetimos, reproduzimos, simplificamos, resenhamos o que foge em muito de nossa audição seletiva, de nosso entendimento. Por outro lado, a fofoca prospera como um monstro, junto da fiscalização da vida alheia.

Precisamos de uma maior sensibilidade “auditiva” nesse mundo de muitas vozes, em que cada vez mais se vê torres de babel se levantando. Igualmente, devemos não reproduzir tais vozes ruidosas.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Pornográficos

Vivemos a era da banalização da sexualidade. Nunca antes se proliferou tantos sexólogos, especialistas e palpiteiros( de crianças a pós-doutores) para ditar a vida íntima alheia.

A vida sexual tem sido reduzida a um mero jogo de prazer, e não da constituição profunda nossa do que se chama de amor. Se receita tais e tais posturas como panaceias…

Mais assustante ainda é uma cultura de entorpecimento pela atividade sexual. Para resolver problemas de insatisfação pessoal, se coloca a sexualidade como chave mestra. O governo incentiva a prática, como preocupação de saúde e felicidade coletiva.

O ser humano tem sido fragmentado por essa moralidade ao reverso da sexualidade. Onde o que tudo que menos há é espontaneidade e amor; mas apenas complexos, medos e censura politicamente correta. Quem sabe, a pornografia atual é mais mórbida que a castidade medieval.

A sociedade da permissividade

Vivemos nos anos resultantes do slogan “É proibido proibir”. Provamos as consequências de décadas do prazer como lei: drogadição, suicídios, violência alarmante, sexo irresponsável sem romantismo, desmandos, eliminação de futuros talentos, premiação dos medíocres.

É mal visto defender ideias como punição, disciplina, regras, autoridade, ordem… A agressividade virou um demônio, e toda ira é reprimida em nome das boas intenções.

Uma sociedade moldada pelo prazer ignora seus resultados. Justamente por ignorar do prazer ser consequência e não causa duma vida feliz. Por isso, muitos tratam todo impulso destrutivo como mal, infelizmente.

Precisamos parar de sermos hedonistas, e valorizarmos a vida, independente se prazerosa ou não. Até mesmo porque o prazer naturalmente flui, quando decidimos viver de maneira exemplar.

Terríveis diferenças

Um desafio permanente é compreender as diferenças, sem gerar conflitos desnecessários. Muitas vezes, o diferente pode parecer um monstro,...